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3 lições que os professores podem aprender com o NING

quinta-feira, abril 22nd, 2010

Introdução

Como todos já devem saber, o NING pretende mudar seu modelo de negócios e, possivelmente, acabar com todas as contas gratuitas. Além de todo chororô e alvoroço, professores que tem redes no NING já começam a pensar em alternativas. Alguns colegas já botaram o pé na estrada e começaram a desbravar as alternativas:

Como se pode ver, o problema nem será tanto as alternativas, mas eventualmente o trabalho que se poderá ter para se efetuar a migração de dados e usuários do NING para a nova plataforma escolhida.

Enquanto o momento desta eventual migração não chega, que tal os professores que têm criado suas redes sociais para fins educacionais pensarem um pouco que lições podem tirar deste episódio?

As Três Lições

Lição #1 – Preciso mesmo desta tecnologia?

Tudo aquilo que é simples, fácil e gratuito se torna tentador e, via de regra, professores (e profissionais de um modo geral) tem a mania de achar que “mais é mais” em educação (e em todas as áreas). Mas não é!

Tem redes no NING para 1 turma, para grupos de estudo (pequenos), para eventos isolados e etc… O que proponho para a reflexão é: uma plataforma de interação e produção de conteúdos, como o NING e suas alternativas, não seria um “tiro de canhão para se matar uma mosca” para uma grande parte das necessidades de professores ou grupos de aprendentes?

Não seria possível criar um ambiente de interação, conversações e produção coletiva de conhecimento e/ou conteúdo usando apenas um blogue?

Lição #2 – A plataforma que escolhi facilita migrações futuras?

Muita, mas muita gente boa de educação (e fora dela) acha que o fato de algo ser gratuito é condição suficiente para se adotar como solução tecnológica.

Não consideram o fato, importantíssimo, de que se a tecnologia usa padrões fechados e/ou proprietários você está entrando num aprisionamento tecnológico.

Quaisquer que sejam os objetivos educacionais, que tenham como horizonte o médio e longo prazo, deve-se olhar atentamente se a solução adotada permitirá, caso seja necessário, uma migração para outra solução sem impossibilidades técnicas.

Isto só é possível com soluções e/ou tecnologias que utilizem padrões abertos, documentados e livres!

Se você resolver migrar sua rede do NING para outra plataforma correlata, procure observar com atenção este detalhe.

Lição #3 – Soluções gratuitas são adequadas para o longo prazo?

Como eu já disse antes:

Embora “peopleware” e pedagogia sejam mais determinantes que a tecnologia em si, como veremos a seguir, a escolha da ferramenta adequada nos poupará trabalho e nos permitirá gastar tutano nas coisas que realmente são as mais importantes: Criar Comunidades de Aprendizagem em torno de uma plataforma.

A maior parte de nós professores já temos muitas tarefas a realizar na tentativa de construir práticas educativas adequadas ao nosso contexto educacional e eficazes para que os alunos aprendam e, mais importante de tudo, aprendam como se aprende.

É natural que escolhamos, num primeiro momento, plataformas gratuitas e simples para as nossas experiências de construção/animação de comunidades de aprendizagem. Mas, na medida que vislumbramos um caminho a seguir (e, em educação, será sempre de médio e longo prazo!) precisamos refletir se soluções gratuitas não contribuirão para que a produção de nossa comunidade fique dispersa na rede no médio e longo prazo.

Não valerá a pena, para um horizonte de médio e longo prazo, se pensar em um domínio próprio e um maior controle da produção da sua comunidade de aprendizagem?

Mesmo que individualmente você não tenha facilidades com as tecnologias necessárias para manter suas soluções por sua própria conta, não valerá a pena, juntar-se a outros professores e organizarem “um condomínio” para a produção deste coletivo?

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Um exemplo de “condomínio” ou de solução coletiva para redes sociais em educação é o SLEducacional!
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A ideia de que vivemos em rede (não mais sozinhos nas nossas escrivaninhas) precisa ser traduzida em práticas mais coletivas e colaborativas!

Uma solução paga, para um coletivo, pode ser mais barata do que um cafezinho por dia. Não que eu defenda que não possa existir o “almoço grátis!“, mas o ponto crucial é: se você acredita no seu trabalho, por que não investir, um pouco, para que ele tenha garantia de presença e organização na web no médio e longo prazo?

Conclusões provisórias

Eu não quero trazer certezas com este texto! Eu quero que professores, educadores e gestores de espaços educacionais pensem para além do curto prazo, da solução imediata para o próximo mês.

Educação é algo muito importante para que tenhamos sempre soluções improvisadas e não ponderadas. Reflexão e ação, em qualquer área, assim como em Educação, deve ser a regra e não a exceção.

PS: Das redes NING que eu mantenho (duas), pretendo ficar com apenas uma. Dependendo das políticas de preço que serão implementadas prentendo mantê-la no NING. Caso seja necessário uma migração, pretendo migrar para a solução wordpress + budypress.

PPS: Na mesma linha de discutir além do óbvio a Lilian Starobinas tece algumas considerações importantes sobre as mudanças no NING. Aponte seu navegador para o endereço abaixo:

http://discursocitado.blogspot.com/2010/04/perdas-e-danos.html

PPPS: Se eu tivesse que migrar para um sistema gratuito (não usar domínio próprio, isto é, wordpress + buddypress) a minha opção seria, seguramente, o grou.ps. Os motivos são: 1) Tem uma página de ajuda só pra quem vem do NING. 2) Tem código aberto e planejam disponibilizá-lo no futuro.

5 motivos para não se usar microblogues em educação

terça-feira, fevereiro 9th, 2010

Introdução

microbloguesEmbora a “rudimentar rede de conexão social” (segundo Biz Stones), aka twitter, já esteja passando da fase de hype para mainstream entre descolados, moderninhos e céticos de todos os tipos, sempre ocorre um fenômeno comum a vários setores da sociedade, e não seria diferente em Educação:

Virou “moda” ou “fetiche” achar que os microblogues são o grande rei da cocada preta e que o seu uso geral em Educação será/é o grande pulo do gato!

Correndo o risco de parecer mais rabugento do que normalmente sou com esta ferramenta, resolvi escrever os 5 motivos pelos quais *eu*, após experimentá-la intensamente, descarto-a como ferramenta, de uso geral, adequada a uma educação para a Era da Informação e do Conhecimento.

PS: Eu continuarei a usar  um perfil “corporativo” para fins de investigação. Não investigação de usos educativos, que como argumentarei a seguir considero descartado!

Meus 5 motivos

  • Aprendizagem passa necessariamente por reflexão – Quando se está aprendendo algo ou quando se está organizando atividades que potencializem aprendizagens é fundamental que se tenha reflexões e decantação de ideias. Quer seja a reflexão antes de se responder a uma indagação, quer seja a reflexão sobre um novo conceito ou mesmo o tempo necessário para “a ancoragem” com conhecimentos prévios. Incentivar o fluxo contínuo (e irrefletido) de informações contribui muito mais para a produção de ruídos que podem ser nocivos a compreensão de ideias, valores ou conceitos do que se está aprendendo e/ou ensinando.
  • Aprendizagem em rede passa por organização dos fluxos informacionais – A perspectiva sócio-interacionista da aprendizagem reforça a importância das interações e da linguagem nos processos de aprendizagem, entretanto esta perspectiva destaca que “quanto mais ricas as interações, maior e mais sofisticado será o desenvolvimento…” e convenhamos, não poder haver riqueza de interações, no caso geral, com apenas 140 caracteres!
  • Organizar a aprendizagem passa por escolher as ferramentas mais adequadas. – Não se trata aqui de rejeitar ou endeusar ferramentas a priori (como se costuma fazer com o twitter). Mas é papel dos professores comprometidos com o presente e o futuro de seus alunos refletirem criticamente sobre quais ferramentas se adequam a objetivos educacionais e não quais objetivos educacionais se adequam a ferramenta da moda! É possível que em situações bem específicas os microblogues possam ser hackeados para usos educacionais. Mas me parece uma grande temeridade e forçada de barra se usar o twitter no lugar de ferramentas dedicadas e adequadas a fins específicos.
  • Aprendizagem cooperativa não prescinde da mediação daquele que aprende há mais tempo! – Considerando especificamente a realidade do professor brasileiro que atende a uma quantidade enorme de alunos no seu cotidiano docente (no ensino básico, por baixo, um professor atende em média mais de 300 alunos numa estimativa muito otimista!) é realmente coisa de quem não está na sala de aula real acreditar que um professor possa administrar, minimamente bem, o fluxo contínuo de informações (não indexadas e nem sempre contextualizadas com objetivos educacionais previamente organizados) que esta ferramenta possa produzir. Não se enganem, desenvolver a capacidade de gerenciar suas próprias aprendizagens não é favorecida numa ferramenta que incentiva a produção irrefletida e contínua de fluxos informacionais. Receio mesmo que em cursos superiores este fluxo contínuo possa impactar negativamente na habilidade de gerenciar aprendizagens, mesmo numa perspecitiva conectivista de aprendizagem!
  • Aprendizagem requer auto-reflexão – Uma característica importante de quem aprende é perceber sua evolução ou olhar em perspectiva sua capacidade de tratar determinado objeto de aprendizagem. Uma ferramenta que não favorece a indexação do fluxo informacional dificulta este olhar em perspectiva, tão importante no ato de aprender e, mais importante de tudo, de aprender a aprender!

Alternativas

Observando o que se tem proposto para o twitter em contextos educacionais e levando em conta os argumentos acima (especialmente o terceiro) indico abaixo ferramentas que me parecem mais adequadas para o contexto educacional do que os microblogues:

Compartilhamento de Endereços

Aprender em rede e com uso das ferramentas da web 2.0 pode passar muitas vezes pelo compartilhamento de endereços web que sejam úteis para uma comunidade de aprendizagem ou mesmo para um subconjunto desta comunidade. Tão importante quanto compartilhar endereços e aplicativos web é achá-los depois de compartilhados.

Para estes casos no lugar do twitter, que embora até sirva para esta função é péssimo na indexação das informações compartilhadas por conta da sua restrição de 140 caracteres, é muito mais adequado usar um gerenciador social de favoritos (bookmarks).

Delicious pra quem não pode hospedar sua ferramenta e get-boo pra quem pode, são duas opções muito mais efetivas que uma conta no twitter!

Tanto o Delicious quanto o get-boo permitem compartilhar um endereço web (link), etiquetá-lo (”tagueá-lo”), inserir observações e muitas outras coisas que ficam prejudicadas no twitter.

Aqui um exemplo do get-boo aplicado numa comunidade de aprendizagem de física!

Conversas, discussão, projetos, etc

Discussões de projetos, anúncios rápidos ou não, organização de projetos, Brainstorms, aprendizagens diárias e tudo o mais que é proposto neste texto aqui pode ser muito melhor implementado com o bom e infalível blogue! E sim, você também pode fazer isto usando seu dispositivo móvel!

Uma discussão temática num blogue é muito melhor indexada e, do ponto de vista didático, mais organizada que usando microblogues.

A mediação daquele que aprende há mais tempo é facilitada numa ferramenta otimizada para organizar as discussões ou conteúdos por mais de um indexador (data, tag, categoria).

A qualidade de discussão é incomparável quando você não se restringe a 140 caracteres. Repare que a falta de limite técnico aos 140 caracteres não implique que você não trabalhe a concisão dos argumentos dos participantes da comunidade.

E se você escolher adequadamente seu motor de blogue, a escrita no mesmo, pelos vários integrantes da sua comunidade de aprendizagem, pode ser tão simples e otimizada quanto você queira e, possívelmente, até mais familiar do que nos microblogues.

Aqui um exemplo de blogue nesta perspectiva integradora. E aqui um exemplo de motor de blogue otimizado para ser alimentado via e-mail!

Gerenciamento da Inteligência Coletiva

Um dos vários motivos porque microblogues em educação é uma péssima ideia (em minha opinião), numa perspectiva de educar para a Era da Informação e do Conhecimento e não para o século XIX é que os microblogues não gerenciam bem a inteligência coletiva gerada nas interações. Mesmo utilizando-se os seus motores internos de busca avançada, não se consegue ter um ideia de quanto foi discutido, evoluído e produzido de inteligência num determinado coletivo aprendente.

Ao contrário dos microblogues, um gerenciador de listas de discussão (google grupos, yahoo grupos ou MailMan se você pode/quer instalar o seu próprio gerenciador no seu servidor) permite não só que as discussões possam fluir na sua comunidade como se encarrega de gerenciar no melhor estilo “menos é mais” a inteligência coletiva gerada pelas interações da comunidade.

Discutir (rasteiramente) no twitter além de ser um desperdício de tempo não permite que a inteligência coletiva que emerge do grupo possa ser, facilmente, gerenciada!

Interações Síncronas

E se você precisa, por uma demanda pedagógica, de interação síncrona você sempre poderá inserir no seu blogue um widget de chat!

E se o perfil sócio-econômico-tecnológico de sua comunidade permitir, você ainda pode fazer uso de sms para espalhamento (broadcast) de informações urgentes. O maior problema aqui é que o preço praticado pelas operadoras para o uso de sms no Brasil ainda é proibitivo. Mas este problema também atinge o uso dos microblogues mais intensamente em dispositivos móveis!

Uma última observação

Embora nesta altura do campeonato isto já devesse ser óbvio para qualquer pessoa que já tenha entrado no mundo dos adultos, sempre vale a pena relembrar e enfatizar. Não existem absolutos! Algo que falha miseralvelmente pra mim pode funcionar lindamente pra você. E vice-versa!

Tenha isto em mente antes de pegar as pedras :-) E sim, os comentários estão abertos às suas considerações, afinal as conversações são muito melhores com mais de 140 caracteres, com reflexão e, mais importante de tudo, numa interface que organize as várias falas de modo organizado e intuitivo.


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