3 lições que os professores podem aprender com o NING
Introdução
Como todos já devem saber, o NING pretende mudar seu modelo de negócios e, possivelmente, acabar com todas as contas gratuitas. Além de todo chororô e alvoroço, professores que tem redes no NING já começam a pensar em alternativas. Alguns colegas já botaram o pé na estrada e começaram a desbravar as alternativas:
- Alternaivas ao NING I – Por Mirian Salles;
- Alternativas ao NING II – Por Mirian Salles;
- Alternativas ao NING – Por Fátima Franco;
- Alternativas ao NING pelo Mashable.
Como se pode ver, o problema nem será tanto as alternativas, mas eventualmente o trabalho que se poderá ter para se efetuar a migração de dados e usuários do NING para a nova plataforma escolhida.
Enquanto o momento desta eventual migração não chega, que tal os professores que têm criado suas redes sociais para fins educacionais pensarem um pouco que lições podem tirar deste episódio?
As Três Lições
Lição #1 – Preciso mesmo desta tecnologia?
Tudo aquilo que é simples, fácil e gratuito se torna tentador e, via de regra, professores (e profissionais de um modo geral) tem a mania de achar que “mais é mais” em educação (e em todas as áreas). Mas não é!
Tem redes no NING para 1 turma, para grupos de estudo (pequenos), para eventos isolados e etc… O que proponho para a reflexão é: uma plataforma de interação e produção de conteúdos, como o NING e suas alternativas, não seria um “tiro de canhão para se matar uma mosca” para uma grande parte das necessidades de professores ou grupos de aprendentes?
Não seria possível criar um ambiente de interação, conversações e produção coletiva de conhecimento e/ou conteúdo usando apenas um blogue?
Lição #2 – A plataforma que escolhi facilita migrações futuras?
Muita, mas muita gente boa de educação (e fora dela) acha que o fato de algo ser gratuito é condição suficiente para se adotar como solução tecnológica.
Não consideram o fato, importantíssimo, de que se a tecnologia usa padrões fechados e/ou proprietários você está entrando num aprisionamento tecnológico.
Quaisquer que sejam os objetivos educacionais, que tenham como horizonte o médio e longo prazo, deve-se olhar atentamente se a solução adotada permitirá, caso seja necessário, uma migração para outra solução sem impossibilidades técnicas.
Isto só é possível com soluções e/ou tecnologias que utilizem padrões abertos, documentados e livres!
Se você resolver migrar sua rede do NING para outra plataforma correlata, procure observar com atenção este detalhe.
Lição #3 – Soluções gratuitas são adequadas para o longo prazo?
Como eu já disse antes:
“Embora “peopleware” e pedagogia sejam mais determinantes que a tecnologia em si, como veremos a seguir, a escolha da ferramenta adequada nos poupará trabalho e nos permitirá gastar tutano nas coisas que realmente são as mais importantes: Criar Comunidades de Aprendizagem em torno de uma plataforma.”
A maior parte de nós professores já temos muitas tarefas a realizar na tentativa de construir práticas educativas adequadas ao nosso contexto educacional e eficazes para que os alunos aprendam e, mais importante de tudo, aprendam como se aprende.
É natural que escolhamos, num primeiro momento, plataformas gratuitas e simples para as nossas experiências de construção/animação de comunidades de aprendizagem. Mas, na medida que vislumbramos um caminho a seguir (e, em educação, será sempre de médio e longo prazo!) precisamos refletir se soluções gratuitas não contribuirão para que a produção de nossa comunidade fique dispersa na rede no médio e longo prazo.
Não valerá a pena, para um horizonte de médio e longo prazo, se pensar em um domínio próprio e um maior controle da produção da sua comunidade de aprendizagem?
Mesmo que individualmente você não tenha facilidades com as tecnologias necessárias para manter suas soluções por sua própria conta, não valerá a pena, juntar-se a outros professores e organizarem “um condomínio” para a produção deste coletivo?
[atualização]
Um exemplo de “condomínio” ou de solução coletiva para redes sociais em educação é o SLEducacional!
[/atualização]
A ideia de que vivemos em rede (não mais sozinhos nas nossas escrivaninhas) precisa ser traduzida em práticas mais coletivas e colaborativas!
Uma solução paga, para um coletivo, pode ser mais barata do que um cafezinho por dia. Não que eu defenda que não possa existir o “almoço grátis!“, mas o ponto crucial é: se você acredita no seu trabalho, por que não investir, um pouco, para que ele tenha garantia de presença e organização na web no médio e longo prazo?
Conclusões provisórias
Eu não quero trazer certezas com este texto! Eu quero que professores, educadores e gestores de espaços educacionais pensem para além do curto prazo, da solução imediata para o próximo mês.
Educação é algo muito importante para que tenhamos sempre soluções improvisadas e não ponderadas. Reflexão e ação, em qualquer área, assim como em Educação, deve ser a regra e não a exceção.
PS: Das redes NING que eu mantenho (duas), pretendo ficar com apenas uma. Dependendo das políticas de preço que serão implementadas prentendo mantê-la no NING. Caso seja necessário uma migração, pretendo migrar para a solução wordpress + budypress.
PPS: Na mesma linha de discutir além do óbvio a Lilian Starobinas tece algumas considerações importantes sobre as mudanças no NING. Aponte seu navegador para o endereço abaixo:
http://discursocitado.blogspot.com/2010/04/perdas-e-danos.html
PPPS: Se eu tivesse que migrar para um sistema gratuito (não usar domínio próprio, isto é, wordpress + buddypress) a minha opção seria, seguramente, o grou.ps. Os motivos são: 1) Tem uma página de ajuda só pra quem vem do NING. 2) Tem código aberto e planejam disponibilizá-lo no futuro.
Sem artigos relacionados.
Posts relacionados trazidos a você pelo Yet Another Related Posts Plugin.
abril 22nd, 2010 at 10:35 am
[...] This post was mentioned on Twitter by Michel Franklin. Michel Franklin said: RT @ticseducacao O que professores e educadores podem aprender com o #NING? http://zapt.in/9OP #edubl #tics #jaba [...]
abril 22nd, 2010 at 11:12 am
Estas discussões são mais importantes que “dicas” que, muitas vezes, são imediatistas. Digo isso com uma certa autocrítica por entusiasmos apressados
))
abraços!
====
Opa Su,
Por isso acho que temos que refletir não só sobre acertos mas também sobre eventuais erros. No mínimo faremos erros novos
abs
abril 22nd, 2010 at 11:13 am
Social comments and analytics for this post…
This post was mentioned on Identica by ticseducacao: O que professores e educadores podem aprender com o #NING? http://zapt.in/9OP !edubl #tics #jaba…
abril 22nd, 2010 at 4:35 pm
Gostaria de te informar que o http://grou.ps é uma nova rede, posso dizer que até melhor que a Ning, e com recursos superiores. O melhor que é tudo Grátis! Dá até pra customizar o seu domínio.org ou outro.
Hoje 22 de abril ela está em manutenção pois estão se preparando para a enxurrada de migrações da Ning para ela.
Eu tenho mais de 20 redes lá. Muito boa
Acessem: http://grou.ps
Lucas Junior
abril 22nd, 2010 at 8:18 pm
Opa Lucas,
Obrigado pela dica. Sabe dizer qual é o padrão utilizado por eles para armazenar os dados dos usuários?
abs
abril 23rd, 2010 at 7:22 am
Tem um tempo que venho fazendo uma integração total wordpress – ning, como se fossem o mesmo site. Deixo a interatividade, discussões e contribuições dos Aspiras para o Ning. Conteúdos mais importantes tenho levado para o wordpress através de posts. A partir de agora intensificarei ainda mais esse processo. A perda seria menos danosa nesse caso, pois o que haveria de mais relevante estaria a salvo numa hospedagem e domínios próprio. Fora que, falando em SEO, o wordpress me parece mais amigável para chamar visitantes do Google.
Lendo seu texto cheguei a conclusão que o Ning foi sim foi uma boa escolha, porque proporcionou o crescimento da comunidade sem que precisássemos nos preocupar com a dificuldade técnica de manter um Wordpress MU + Budypress, que na época eram muito jovens e problemáticos pelo que lia. Continuará sendo uma boa escolha caso dêem uma ferramenta boa para migrar para outras plataformas.
Aliás, qualquer novo serviço de criar comunidades gratuito será bom à medida que oferecer uma forma fácil de migração para outra plataforma de domínio e hospedagem próprio. Porque nem sempre quando começamos uma comunidade sabemos do seu verdadeiro potencial. Mas quando isso acontece, temos que ter uma opção fácil de migrar o quanto antes para um domínio próprio.
abril 23rd, 2010 at 8:35 am
Opa Alexandre,
Como a maior parte das interações nas comunidades ocorrem nos fórum, a solução wordpress + buddypress me parece uma boa opção.
http://www.noticiaspopulares.info/populares/como-criar-um-forum-no-wordpress.html
O wordpress tem um plugin que gera um forum dentro do mesmo e o budypress agora roda no wordpress normal (não precisa ser MU).
Eu até instalei aqui pra ver como fica e tudo bem.
http://aprendendofisica.pro.br/blog
Existe um plugin (tô pensando em testar) que importa os usuários de uma rede do ning para dentro do budypress:
http://teleogistic.net/2010/04/importing-ning-users-into-wp/
Os conteúdos terão que ser importados no braço (no seu caso, isto já está até encaminhado) até onde eu sei…
E resta o trabalho de dar suporte os usuários no novo ambiente…
Enfim, não é o momento ainda para decidir, mas para pesquisar por alternativas.
abs
abril 24th, 2010 at 9:15 am
[...] Sérgio Lima escreveu um excelente post, 3 lições que os professores podem aprender com o NING. Concordo em "gênero, número e grau" com cada uma das lições [...]